ZILDO GALLO

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ÁGUAS DE OUTUBRO (via crucis)


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Voltaram as chuvas...
Caem as águas do céu cinzento
e escorrem... escorrem...
arrastando lixo e lama na negritude
do asfalto esburacado
e levam também consigo destroços
da minha carcaça exterior.

Em solitário recolhimento
isolado
silencioso
ouço os ruídos contínuos
das grossas gotas na vidraça
e o zunir do vento
que encobrem o barulho
do meu confuso pensar.

A chuva forte me põe só
na companhia de minh'alma
que das profundezas emerge
e sinto a sua dor pungente
o penar do seu confinamento
e o peso da sua missão
a sua via crucis
a difícil tarefa de me carregar pela vida.

 
   
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