CLAUDIANNE DIAZ

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Brísia Belmonte [Coleção Contos] [Livro II]


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Não tinha mais que sete anos. Caminhava por uma estrada estreita, deveria ser o pôr do sol ou o amanhecer. Dos dois lados havia lápides. E, eu seguia em direção ao enorme portão de ferro à frente.
Meu vestido de rendas branco cobriam meus pés encharcados de sangue. Não entendia, não compreendia os fatos. Apenas, caminhava para encontrar algo ou alguém que pudesse me dizer que tudo aquilo era um sonho ou tudo estava bem.
Tinha uma fita amarela entrelaçada em minha trança comprida que se costurava entre meus cabelos mas, a cor desbotada deixava-me mais intrigante.
O portão de ferro com lindos desenhos não chegava nunca ao meu alcance e alguma coisa me prendia dentro daquele paraíso silencioso em que eu me encontrava. Mas, eu não desistia em continuar caminhando e não olhei para trás nenhuma vez.
Sentia um enorme peso sobre meus ombros como uma mão invisível e muito poderosa que me pressionava sob aquele chão vermelho de terra.
Sentia sede e minha cabeça girava. Só então percebi que minhas mãos estavam cobertas de lama, o que deixou a fita amarela desbotada com um tom opaco.
Sentia o cheiro das profundezas de Gaia. A mãe que tudo abraça sem piedade. O cheiro fresco da terra levemente molhada e que rescendia em minha memória uma chuva fina no meio da primavera. Senti saudades, uma enorme saudade de casa.
Inexplicavelmente não sentia frio. Apenas, uma vontade enorme de atravessar aquele portão. Mas, ainda sem saber eu seguia para me sentir liberta ou segura.
Depois de muito tempo entendi que aquele final de tarde poderia ser ainda mais escura.
A escuridão era tão devastadora que eu não sabia entender se era a morte ou apenas o esquecimento.
De onde eu estava dava pra ver um pedaço do céu que também possuía uma escuridão infinita.
Agarrei em algo gelado próximo à mim e então olhei fixamente para o alto. Deus havia de se lembrar de uma garotinha perdida e mandaria alguém para tirá-la dali.
As mãos que eu almejava sentir por proteção não chegavam e eu mais uma vez estava só. Completamente sozinha numa noite escura com sede, perdida e assustada.
Sou Brísia Belmonte. Assim, me chamavam. —Aonde foram todos? — O que eu estou fazendo aqui?
A noite parecia sempre escurecer mais. O amanhecer nunca chegava.
A sede aumentava e assustadoramente não se ouvia o som de nenhum pássaro.
O silencio era amedrontador. Doía a medida que o tempo parecia passar.
O primeiro som surgiu dentro daquele buraco negro e parecia um animal engasgado.
Mas, logo percebi que o som vinha de minha garganta.
Então, depois de muito tempo consegui ver uma pequena luz lá no meio do céu. Não era uma estrela e a lua também tinha se escondido de mim.
Como eu gostaria de vê-la esta noite.
O silencio tão longo deixou de existir pelo barulho de uma gralha e eu fiquei contente em saber que não estava mais sozinha dentro daquela escuridão.
Para meu espanto a gralha calou-se e eu ouvia agora o som de lobos famintos. Tentei respirar o mais fundo que eu pude. Talvez, aquela noite pudesse se transformar num manto na qual me cobriria de todo o mal. Mas, eu sabia que se aquele animal me encontrasse e me olhasse nos olhos. Ele jamais me deixaria em paz. Ele ia me encontrar e eu sentia isso.
No mesmo instante que eu pensava nessa possibilidade os olhos dele brilhavam sobre os meus. O medo apavorante de ser devorada me fez fechar os olhos. Fiquei mais quieta do que já estava e então, abri-os novamente para os olhos de quem me trazia pavor. Encarei meu medo o mais perto que pude em toda a minha vida.
O brilho dos olhos daquele animal me cegou profundamente e eu lutei para manter abertos. Mas, não consegui.
Eu tinha sido levada pelo pavor e naquela angustia uma mão me puxou daquele abismo na qual eu me encontrava.
Um homem arrancava um tubo da minha garganta. A claridade ofuscava meus olhos novamente e o animal desapareceu.
Eu estava deitada numa maca com muitos aparelhos.
Ouvi alguém dizer. — Ela sobreviveu.
— Mas, o quê? — Quem são essas pessoas?
Diante da realidade eu não sentia nada mais que uma infinita dor. Eu não conhecia ninguém, me senti deslocada. Naquele momento eu nem me lembrava quem eu era. — O que eu faço agora?
Tentei me lembrar de alguma coisa mas, nada surgia em minha mente.
Uma longa pausa passou-se e eu dentro dessa pausa e um vazio perturbador.
— Quem sou eu? Eu conseguia entender quem eu era só não o que estava fazendo ali ou como tudo poderia ter me levado até lá.
Uma linda mulher entrou pela porta dada a mão com uma garotinha. Olhou para mim e chorou.
Eu ansiava em entender mas, não compreendi.
Ela disse. — Eu jamais deveria ter feito isso. Ela pôs sua mão sobre a minha que estava extremamente dolorida e eu automaticamente puxei. Recuando o carinho dela ou sua aflição.
Meus braços estavam roxos por causa das agulhas. E todos os meus ossos doía. Minha cabeça parecia que estava com água e até meus olhos sentia o impacto.
Sentia uma dormência nos braços e meu corpo parecia pesado. Um sono assustadoramente apossou devido as morfinas. Mas, a dor latejante permanecia constante para me deixar acordada.
O choro daquela mulher jovem continuava e aquilo de certa forma me incomodava. Então, olhei para ela e disse.
— Quem é você? — Por que você chora?
E ela saiu sem nada me dizer. O que me deixou ainda mais confusa.
Uma hora ou mais tinha se passado e uma enfermeira voltou para colocar mais daquele soro em minha veia.
Perguntei.
— Quem era aquela mulher linda que chorava ao me ver?
Ela me respondeu.
— Sua mãe. Mas, não se preocupe. Você irá se lembrar logo.
Eu disse. — Não. Ela não é.
A enfermeira me olhou como se eu fosse uma demente. E percebi naquele exato momento que eu realmente seria mesmo. E fiquei furiosa com a situação. Meu mundo parecia ter se desmoronado e naquele momento eu era apenas um simples ponto na existência.
Para me acalmar a enfermeira dizia que tudo era normal e passava as mãos em minha mão que estava sem o soro.
— Calma, minha querida. É assim mesmo, logo, logo você vai rir de tudo isso. Vai ver.
E saiu com um longo sorriso.
Por um minuto acreditei.
Eu dormi e não sonhei.
Os dias e as noites se tornaram infindáveis, intermináveis e todo o dia aquela mulher jovem que dizia ser minha mãe me visitava e contava histórias. Ela trazia uma menina de mais ou menos seis anos. E que seria minha irmã. Matilda. Eu não acreditava que ela poderia ser a minha irmã. Não se parecia nem um pouco comigo. Irmãs devem ser parecidas. Pelo menos em alguma coisa.
Eu me sentia deslocada e até as histórias que minha mãe contava não se encaixava em minha vida ou tudo parecia pérfido.
Finalmente alguém bateu na porta e empurrou. E eu vi um rosto que minha mente conhecia muito bem.
— Pai?
— Como isso é possível?
— O que disse querida?
— Filha que bom que está bem.
Eu abracei meu pai e senti pela primeira vez segurança.
— Pai me leva pra casa.
— Temos que esperar o médico dar alta. Aí vamos pra casa.
Minha mãe olhava pra ele e para mim e eu sabia pelo olhar que ela não compreendia.
Ela o chamou para conversar em particular como se eu mais uma vez fosse uma estranha. Talvez, ela fazia tudo aquilo parecer estranho.
Eu ouvia apenas cochichos.
A enfermeira Maria disse bem claro.
— Ela não está fingindo senhora Júlia. Isso realmente é possível. Talvez parte de onde foi a pancada no momento do acidente tenha debilitado. Mas, o médico dela o neurocirurgião Matheus garantiu que seria por um tempo. Talvez, até um ano. Com as rotinas de casa e um bom tratamento de terapia volta antes do esperado.
Meu pai balançava a cabeça e dizia que não estava entendendo nada. Ele ainda não sabia que eu não me recordava dela e da minha irmã.
Ele me olhava, balançava a cabeça e as mãos e fechava o cerro.
Eu tentava fazer o mesmo.
E chamei meu pai mais uma vez para perto de mim. Eu não me importava mais com aquela situação de amnésia. Eu só queria ter perto de mim uma pessoa querida e que me fazia me sentir segura.
Minha mãe achava que eu estava testando a paciência dela ou estava fingindo mas, realmente eu não me lembrava. E ela não fazia questão de eu saber sobre sua decepção.
— Como pode se lembrar do seu pai e não se lembrar de mim?
— Eu não sei.
E essa era uma resposta desagradável.
Ela não conseguia se conformar e foi procurar o neurocirurgião Matheus Logasi Neto.
Pouco menos de vinte minutos de conversa com meu pai ela trazia um homem até jovem pela sua profissão e que salvou a minha vida. De certa, forma eu devia um agradecimento.
Meu pai sempre dizia que eu era a menina mais madura que ele já tinha conhecido. Não sei bem ao certo o que ele queria dizer com isso. Mas, se fosse um elogio eu ficava contente. Afinal, eu tinha apenas sete anos e já sabia o que queria para minha vida. E ele prometera pagar quando eu crescesse.
Eu iria cursar Medicina para me especializar em Necropsia.
Eu estendi minha outra mão e disse um obrigada para aquele médico.
Ele só me disse de volta. Você é muito especial.
Meu pai disse para ele.
— Ela irá se lembrar de tudo com o tempo doutor?
— Sim, é bem provável. Ela não tem traços de trauma e isso é só um bloqueio que com o tempo será curado com terapias.
Minha mãe balançava a cabeça pra cima e pra baixo tentando compreender sabe se lá o quê. Meu pai olhava pra ela com um olhar desaprovador. E eu não entendi nada.
Saí daquele hospital depois de ter passado longos dois meses e meio. Contando com o coma.
E longos onze anos se passaram.
Eu fui uma estranha em minha própria casa.
Nada que o médico disse aconteceu. E as terapias fizeram parte da minha vida assim como minha respiração.
Minha mãe sempre acreditou que eu me lembrava do dia do acidente. O que não era verdade. Apenas eu soube pelas pessoas que não se importam com a ética familiar. E que me contaram apenas para me ferir ainda mais.
Nunca fui uma pessoa normal. Eu tinha depressão e tomava remédios para ansiedade. Não tive amigos na escola, não fazia parte de nenhum grupo de estudos. Não ia a danceterias, não fumei maconha como todos faziam para experimentar e não podia consumir bebidas. Eu estava totalmente fora da era moderna. E ainda tinha que aguentar minha mãe e minha irmã mais nova tagarelar em minha cabeça que eu me fazia de vítima.
Matilda nunca quis nada sério. Sempre levava os namorados em casa e se tornou uma imagem pública aos treze anos. Se intitulou modelo da marca forzin. Uma marca que não era nem um pouco conhecida. Ninguém nem sabia do que se tratava. Mas, ela sabia que era uma marca de roupas íntimas. E o namorado dela fazia questão de aprovar.
Eu sempre fui a estranha que caía de cabeça nos livros de biologia e ramificações e que elas diziam que essa profissão era para doidos. Eu pelo menos estudava.
Meu pai sendo um almirante da Marinha não ficava muito tempo em casa. Mas, iria se aposentar em cinco ou seis anos. Eu tentava aguentar a situação porque ele dizia que elas eram duas fracas e precisavam da minha ajuda. Eu acredito que no fundo ele sabia que eu iria me entregar aos vícios se estivesse sozinha em algum lugar. E, o lugar mais seguro para eu continuar querendo ser alguém na vida seria em casa. Ele acreditava naquele velho ditado. — Você é capaz?
A mente sempre inclina para o que você pode provar e ele usava essa tática comigo.
Minha mãe e minha irmã eram duas pessoas que jogavam duro. Diziam o tempo todo que eu não seria capaz de olhar um corpo sem vida e ainda ter a coragem de fazer a autópsia.
Eu sempre quis que os estudos se avançassem e eu iria provar para elas que elas estavam erradas. E, lógico meu pai sabia que isso me segurava no estudo e na minha carreira.
Depois que eu soube pela boca do meu pai que os boatos eram verdadeiros. Acho que os remédios deixaram de fazer efeito.
Minha mãe tentou me dar duas vezes.
A primeira vez foi quando eu tinha apenas dezoito dias.
A segunda vez foi o dia do acidente. Meus pais adotivos estavam tentando sair do país rumo ao Uruguai e foi barrado por uma escolta que o meu pai pediu.
Eu tento não me lembrar muito dos detalhes porque isso deixa a minha mente criar situações desconfortantes. E eu não me lembro. Não sei porque minha mãe acha que eu me lembro e faço isso para machuca-la.
Eu jamais faria algo para tentar feri-la.
Eu deixo isso no passado. E também tento imaginar como ela se sentia. Com uma depressão pós parto as pessoas fazem coisas inacreditáveis.
E, por mais que me feria e dilacerava por dentro eu dizia para ela que eu já tinha a perdoado. Mas, não entendia porque aquela dor não passava. Talvez, eu teria que me lembrar e as terapias e os remédios não funcionavam mais.
Já tinha terminado os estudos e logo ingressaria para a faculdade de Medicina. Um sonho de menina.
O curso seria em outro Estado e eu enfim partiria pela primeira vez sozinha. Iria fazer o que eu sempre quis sem os falatórios de duas pessoas que me colocaram pra baixo a vida inteira. Eu pensando soava estranho porque a única pessoa que poderia ter orgulho de mim e sonhar os meus sonhos se sentia aliviada com a minha partida.
Essa noite eu chorei muito. Muito mesmo. A dor atravessava meu corpo e minha alma. Mas, ninguém pode fazer uma pessoa te amar já que essa pessoa teria que amar. Ela era a minha mãe e eu queria me sentir amada.
Foi a pior noite da minha vida para amanhecer o melhor dia.
Meu pai estava de pé na porta esperando eu sair. E eu o abracei por uns dez minutos com os olhos fechados tentando imaginar que também pudesse ser minha mãe. Só que o cheiro dele não deixava minha mente fluir.
Fui até a minha mãe e pedi um abraço. Bom, não foi caloroso. Mas, eu percebi que ela também tinha um cheiro e tentei memorizar aquele cheiro para eu me lembrar depois. Ela possuía um cheiro doce de perfume infantil misturado com ervas aromáticas. O manjericão. Pronto, eu me lembraria.
Eu acredito piamente que ela se arrependeu e sentia culpa por tudo. Então, ela não conseguia se perdoar e não conseguia merecer meu amor. Mas, ela teria se o quisesse. Eu a amava mais que a mim mesmo. E ela sentiu isso. Todos esses anos desperdiçados com rancor para ver em mim uma reação adversa e tentar ter a razão para seus feitos e rasurar sua culpa.
Fui para o carro porque não aguentava mais a dor de cabeça. A saudade. E todo o resto.
O medo de partir. A tortura de ficar.
Erro meu.
Culpa dela.
Os longos seis anos se passaram. Eu arrumei um trabalho temporário e ia de vez em quando pra casa.
Parece que sem mim tudo ficou diferente.
Minha mãe não me julgava como antes. Minha irmã também tinha um trabalho e tudo parecia caminhar bem.
Quando eu terminei a Faculdade os bloqueios em minha mente ainda continuaram e eu já não aguentava mais as intensas terapias duas vezes por semana. Eu sabia que essa altura da vida eu jamais iria me lembrar.
Desisti das terapias um ano antes de terminar a Faculdade mas, meus pais não souberam dessa decisão.
Prestei concurso público para trabalhar dentro do IML. Esperei o resultado por longos seis meses. E consegui.
Eu me instalei na cidade de Campinas já que o meu trabalho seria lá.
Eu estava há dois anos no ramo. E um corpo chegou para análise.
O corpo era de uma mulher de meia idade. Cor branca. Cabelos tingidos porém, raiz esbranquiçada. Tudo indicava envenenamento. O pré relatório de entrada.
Subitamente olhei para o rosto para um olhar clínico de pálpebras. E levei um choque.
Era Júlia Belmonte. A mulher que eu nunca me lembrei de ser a minha mãe.
Fiquei ali parada olhando numa pausa extensa enquanto os outros médicos entraram e disseram que houve uma falha ao enviarem aquele corpo de etiqueta 2412.
Eu já havia feito o olhar clínico mais minucioso daquele dia. Mas, naquele momento pedi um tempo sozinha.
Sentei-me e tentei respirar profundamente. — Como ela veio parar aqui?
E todas as lembranças vieram à tona. Eu num momento inoportuno lembrei-me. Eu havia me lembrado de tudo. Ela era a minha mãe. E eu olhei para trás lentamente enquanto um som de martelo batia no fundo da minha cabeça.
A mulher na qual eu examinaria para uma autópsia era a minha mãe. Ironia da vida ou pura maldade do destino.
Ela tinha se envenenado. Tinha se mudado há três meses. Eu nem sabia do divórcio. Tudo parecia bem.
— Por que o suicídio?
Era tarde demais para explicações. Ela havia partido. E da pior maneira.
Sem um adeus.
Sem me dizer se tinha me amado. Porque eu a amava. E agora, olhando-a naquela maca eu compreendia que ela era a minha mãe.
As lágrimas nunca foram suficiente. Nada é suficiente.
Eu sempre a amarei.

 
   
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