PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

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A DESCONSTRUÇÃO


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Ordenei-me no caos.
Quis edificar
a ampla estrutura de ser
no loteado planalto humano.
Parti do minuto areia
e aceitei os dias
como pedras pulverizadas.
O ESQUECIMENTO FOI ALICERCE.
Admiti a resina dos povos.
(Todos povos possuem resinas).
Aceitei os homens
e seus desatinos quando em massa reunida
e suportaria o aglomerado,
caso ele não fosse impactado sobre mim.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Levantei paredes apenas de barro cozido
porque pensei essa é minha consistência
e é um tipo de lama
que me reciclará através do tempo.
Mas terminei a obra. Vistoriei.
A edificação nunca será a maior residência
de uma rua com nome de Barão.

Ah, percebo agora,
a verdade é uma gruta,
eu sempre fui gruta e essa é minha poesia.
Um oco escavado.
um vão úmido maior que todos os projetos
e milhares de possibilidades me cercam.
Uma estalactite coteja,
vocábulos construtores em meu ouvido.


Do livro Borboletas noturnas não existem - não publicado
phcfontenelle@gmail.com

 
   
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