PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

 -  - PAULO FONTENELLE
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A ALMA SURDA


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O vento que pensas passar por ti,
na verdade sai do teu corpo.
Ele é tua alma surda,
uma aparição que se move
porque espera dizer algo
respirar o ar marinho
da inocência amorosa,
cantar um lamento
para se abeirar da aliança exata,
mas tua surdez solta apenas um uivo,
dor revolvida.

O vento que pensas passar por ti
é tua alma surda,
teu fantasma adolescente
brilha a noite,
quer se encantar,
flor espontânea,
mas das pétalas surgem nuvens,
um acúmulo de dores,
que são amores sem matizes.

O que surge da viração de ti
não sabe amar.
Mas resta a algum fantasma
atravessar as paredes,
declamar o verso rejuvenescido
da musa que tu não atingirás,
não sem antes fumar o brilho lúcido
do cigarro aflitivo.

Do livro:Adversos e outros momentos

 
   
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