PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

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AS MARCAS


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A tua mão, querida,
espalmada sobre o meu peito,
não calculou os batimentos,
nem sentiu o meu coração que rompia.
Era antes o teu braço que media
a fronteira entre nossos corpos,
onde hoje passa um ribeirão raso
e lagartos soltam suas línguas bifurcadas.
Sonho.

O teu olhar,
no arco armado por ti,
me trespassou.
Pensei no segundo da seta.
“A flecha cortará o peixe
que despregará escamas até o limiar da dor.
Serei então a moréia,
um esturjão,
o Boca Aberta”.

Nem as postas do nosso amor
permaneceram comigo.

Mas, ainda assim, querida,
aqui me apresento como um espelho d´ água.
E que você reflita em mim
um batom obsceno,
tenros seios
e teu dúbio umbigo de sereia.

DO LIVRO: BORBOLETAS NOTURNAS NÃO EXISTEM

 
   
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