LUCIANE MARI DESCHAMPS

 -  - LUCIANE MARI
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Se eu fosse negra...


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Olho meu rosto diante do espelho. Foco nos detalhes da pessoa que vejo refletida. Na face, a minha negritude se revela nos meus lábios grossos e carnudos, nos meus olhos castanhos escuros, no nariz achatado e largo e nos meus cabelos encaracolados e negros. Essa aí sou eu! – penso. Sou aquela mesma menina que outro dia foi excluída do grupo de apresentação da escola por não querer ser a personagem da empregada da madame e muito menos a menina de rua, pedinte. Não quis ser quem muitos são na vida real. Não quis representar o papel de alguém que, por devido à cor da minha pele, tenho de ser. Só sobram estes personagens para a gente! – contesto. E tive que ouvir de algumas colegas que eu era uma “pretinha metida à besta”. Esse comentário me machucou muito, fundo, bem na alma! Aliás, não foi a primeira vez que ouvi algo deste gênero. Muitos já foram os xingamentos que recebi e todos voltados à cor da minha pele ou à aparência do meu cabelo.
Meu reflexo no espelho diz mais do que minha cor. Fala da história dos meus antepassados que trago nas veias. Uma história triste, eu sei, como a de muitas outras pessoas que conheço e que nem negras são. Aliás, problemas e situações difíceis todos nós temos e essas coisas não escolhem a cor da pele nem o formato dos fios dos cabelos. Mas quando alguém, sem justificativa nenhuma, resolve julgar o outro pela aparência, dizendo ser feio ou bonito, bom ou mau, certo ou errado, não sabe o quanto isso faz mal, fere, complica a vida. Quanta coisa passa pelos meus pensamentos ao ouvir tais comentários!
Os meus sentimentos se misturam. Não sei se tenho ódio, raiva, pena, tristeza ou compaixão. Dependendo do dia, chego até a acreditar que sou aquilo que julgam que eu sou. Em outros dias, eu quero fazer justiça e reivindicar um direito que todos têm: de ser quem é, do jeito que é, da forma que tem, de ser feliz. Esta luta parece não ter fim. Ainda sinto os grilhões dos meus antepassados segurando os meus pés e pesando na alma. Tenho a sensação de que não posso ir para frente, livre do preconceito de muitas pessoas, pois tem sempre a cor da minha pele que chega antes de mim a qualquer lugar que eu vá. Viver marcada, rotulada, estigmatizada, dói muito!
Continuo a olhar a menina refletida no espelho. Eu a considero tão bela! Amo seu sorriso, seus lábios, o desenho do seu rosto e cada fio do seu cabelo crespo! Poxa, sou apenas uma garotinha! Tenho em mim os traços de minha mãe e, quem sabe, da minha tataravó. Trago a história da minha família e de todos os meus familiares que me antecederam. Muitos, infelizmente, ainda não percebem a força e a história de vida que corre nas veias de uma pessoa, independente da cor da pele ou do tipo de cabelo que ela tem. Somos apenas humanos! Quando vão parar de colocar as pessoas em grupos e classificá-las em “raças”? Isso que é desumano!
Hoje, quero usar meu turbante vermelho, minha blusa amarela. Quero destacar a cor da minha pele, do meu sorriso, da minha paixão em ser quem eu sou! Hoje, também e mais do que nunca, quero ter a certeza de que aquela menina refletida no espelho é alguém muito especial, que faz a diferença, independente das diferenças que tem. Quero ser apenas eu e torço para que os outros sejam quem são, mas sem os preconceitos que levam consigo e que tapam seus olhos, fazendo com que não vejam no próximo a pessoa que é!

 
   
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