EDNA VEZZONI

 -  - EDNA VEZZONI
Total Visualizações: 1740
Texto mais lido:
Nova fase: - Total: 231
Educares são nossos pontos, nossa pontuação! Educares: 108
10 Autores mais recentes...
VALDINEI DA SILVA CAMPOS
MILTON JORGE DA SILVA
CELSO GABRIEL DE TOLEDO E SILVA
MARIA DE SOUZA CEZAR
EVERALDO JOSÉ CAVALHEIRO PAVÃO
JOSE JOÃO BOSCO PEREIRA
RUAN VIEIRA
FERNANDO DANIEL FRANCO DE CAMARGO
ELIAS OLIVEIRA DE JESUS
MARISA BARBOSA CAJADO
10 Autores mais lidos...
613 SEDNAN MOURA
SEDNAN MOURA
Total: 1454101
285 ALEXANDRE BRUSSOLO
ALEXANDRE BRUSSOLO
Total: 248753
190 DIRCEU DETROZ
DIRCEU DETROZ
Total: 123475
272 PEDRO VONO
PEDRO VONO
Total: 112069
1121 THALYA SANTOS
THALYA SANTOS
Total: 90594
622 EVANDRO JORGE DO ESPIRITO SANTO
EVANDRO JORGE DO ESPIRITO SANTO
Total: 54060
218 ZILDO GALLO
ZILDO GALLO
Total: 33250
496 ALBERTO DOS ANJOS COSTA
ALBERTO DOS ANJOS COSTA
Total: 31297
189 LADISLAU FLORIANO
LADISLAU FLORIANO
Total: 30058
385 ANDRADE JORGE
ANDRADE JORGE
Total: 25786
Sala de Leitura
Busca Geral:
Nome/login (Autor)
Título
Texto TituloTexto



Total de visualização: 132
Textos & Poesias
Imprimir

Total Votos: 1
DICA: Utilize o botão COMPARTILHAR (do facebook em azul) ou o LINK CURTO que disponibilizamos logo abaixo desse botão para compartilhar seu TALENTO nas Redes Sociais, compartilhando com mais fãs e leitores de toda parte do Mundo Virtual. Esse recurso foi desenvolvido para ajudar na divulgação de seus textos. USE SEMPRE QUE DESEJAR!
  Anote esse link curto de seu texto e divulgue nas redes sociais.

Para a sua diversão. "Bota ao Microondas".


*** Faça o seu Login e envie esse texto por email ***

Alguns compromissos estavam agendados. E para honrá-los havia que se viajar. Eram meados de julho. Chovia torrencialmente aqui no interior, e fazia frio. O frio se instalava nos ossos. Principalmente de quem os tem osteoporizados.
Comprei a passagem, e consultei o Senhor do Tempo, para saber exatamente o quê colocar na bagagem. Pelo que pude deduzir em minha pesquisa nos portais da dita internet, o tempo em São Paulo, não estaria diferente daqui. Talvez se apresentasse um pouco pior, do que aqui.
Arrumei a mala e escolhi os calçados. Um chinelo, para ficar à vontade, quando estivesse em casa. Quer dizer, na casa aonde ia me hospedar. Um sapato de salto alto, para eventuais necessidades. Mas eu rezava para não ter de usá-lo. Salto alto me deixa um pouquinho mais alta. Só um pouco mesmo! Em contra partida a coluna sofre que só vendo uma coisa. Que coisa? Ah, sei lá coisa. Aqui no interior usa-se muito essa expressão quando não se lembra o nome... Da Coisa! Daquilo que se quer dizer.
Duas sandálias. Esperança em demasia? Vai que faz calor! Melhor prevenir. Um sapatinho baixo, tipo moleca. Muito confortável. Mas impróprio para muitos lugares. E uma bota de camurça, no tom marrom claro. Bota amiga. Companheira de mais de ano. Comprada em São Paulo no inverno retrasado. O último par da vitrine. Comigo é sempre assim. O vendedor surge com a caixa na mão, e o sorriso amarelo que eu já conheço de outros verões e de outros invernos também! (isto para não citar o outono e a primavera). — É o último par. Só tem o que tá na vitrine. — Fazer o que? Pé de princesa é pé de princesa! Mais não é, é de Gata Borralheira mesmo.
A bota, de zíper e salto baixo, é muito confortável. Quase nem sinto que estou andando. Sim. Era com ela mesma que eu iria viajar. E lá fomos nós, a mala, a bota e eu, rumo à capital do estado. A bota no meu pé, é claro.
Em meio à semana, resolvi dar um role em CAMELOT que fica lá pras bandas da rua vinte e cinco de março. Pode parecer muito doido, mais eu gosto daquela loucura que a gente só encontra em CAMELOT. Assim, em meio ao aguaceiro que desabava sobre a cidade da garoa, inventei um bom motivo para sair do abrigo onde eu estava. Confortavelmente seca. Qual foi o motivo que arranjei? Comprar uns metros de tecido xadrez nos quais eu bordo o ponto cruz. Na verdade o motivo nem foi assim tão inventado, uma vez que eu tinha encomenda para bordar duas toalhas.
Logo após o almoço, subi no primeiro ônibus que passou e desembarquei nas proximidades de CAMELOT.
Sobe e desce ladeira. Entra em loja e sai de loja. Campeia em um armarinho. Fuça em outro. Vê os muambeiros fugindo do rapa. O céu se fechando. O tempo passando e o mundo desaguando em meio à apregoação dos vendedores:
— Compra a máscara, dona. Olha a máscara, dona.
— Sombrinha. Olha a sombrinha. Tem de cinco. Tem de dez e tem de quinze. Quem vai querer?
— Olha o milho verde ai gente! Quem vai querer milho verde? Quentinho, quentinho? Quem vai querer!
— Olha a capa, olha a capa. Só dois reais. Quem vai querer?
— Olha o rapa! Olha o rapa! Corre gente que lá vem o rapa.
Ó vida marvada! E lá se vão eles. Fugindo do rapa.
Nessas andanças, o ponteiro do relógio apontava para as cinco da tarde, e a bota se ensopando. E a meia foi esfriando, esfriando e encharcando dentro da bota molhada.
Logo mais à noite, eu tinha um compromisso. Jantar com um dos meus filhos e nora.
Ali, em CAMELOT e em meio ao aguaceiro do entardecer eu me pus a matutar. Voltar para o apartamento da amiga no qual eu estava hospedada e trocar roupas e calçado? Seria o mais correto. Sem sombra de dúvida. A meleca é que eu havia extrapolado o tempo nessas andanças e agora eu levaria um tempão até chegar a casa dela. E outro tempão maior ainda para chegar ao local do compromisso. Como eu estava bem mais perto da casa do filho ao qual me refiro, decidi ir direto para a casa dele. Com bota molhada e tudo.
O jantar na companhia deles foi muito bom. A única coisa que incomodava era o pé gelado dentro da bota encharcada. Lá pelas onze da noite, meu filho me deixou diante da portaria do prédio da minha amiga.
Dia seguinte. Um compromisso inadiável em Santos. E a chuva? Molhada. E a bota? Também. E o frio? Firme e forte.
Ó céus, que fazer! Sapato de salto alto, inda mais para viajar, nem pensar! Sandália? Menos ainda. Moleca? Sair descalça dá na mesma. Mesmo! Se a bota naufragou, o que é que se pode esperar de um calçado de tecido.
Refleti e refleti e me ocorreu uma feliz ideia. Dessas que só gênio costuma ter. Pensei cá com os meus botões: — Se já sequei roupa no microondas, porque não secar a bota?
Pois é. Foi o que eu fiz. Botei a bota no microondas. Cinco minutos. Deve ser o suficiente...
Cinco minutos depois eu abri o microondas e retirei exultante a bota quentinha. Soltando fumaça. Que delícia! Enfim, um calçado seco, confortável e digno de se calçar para enfrentar a viagem até Santos! Abri o zíper e calcei o pé direito. — Que estranho! Parece que tá cheio de caroço... Coisa esquisita. — Retirei a bota e passei a mão em seu interior. Eu havia me esquecido de um detalhe. Pequeno, mas significativo detalhe. A palmilha era de borracha...
Enfiei o pé no primeiro par de sandálias a vista e antes de chegar ao metrô, entrei na primeira loja de calçados que vi.
— Moço. Aquela bota ali. Você a tem na cor preta?
— Tenho. Qual é o número?
Na hora deu um diabo de um branco e eu respondi.
— 34.
E lá veio ele com a caixa e o sorriso amarelo.
— É a última.
Calcei a bota e passei no caixa. Nem perguntei quanto era. Cartão serve para nos socorrer e endividar nas emergências.
Bota nova e lá fui eu em direção a Santos. O pé navegando dentro da bota e a bota navegando nas águas de Santos e foi um naufrágio só.
Fui e voltei intrigada. “Será que o moço me enganou? Será que ele me fez comprar um numero maior. Tipo 35?”. Deixa estar. Quando eu chegar a São Paulo eu verifico. E verifiquei. Os dois pés da bota continham o mesmo número, 34. Portanto, o moço não me enganou. Ele me trouxe o número correto. Alguma coisa estava errada e só podia ser com o meu pé. Principalmente o esquerdo. Nele a bota ficava incrivelmente mais folgada. Que safado!
Dia seguinte. Ainda intrigada e inconformada com o fato de ter perdido a bota de camurça marrom, eu a peguei para examinar. Quem sabe isto ainda tem conserto? No que eu puxei o zíper, vi a etiqueta com a numeração. 33.
Ah, então é isto!? Não há nada errado com a bota nova nem com o meu pé. O número é que está errado. Eu não calço 34. O meu é um pezinho de Gata Borralheira, esqueceu? 33.
De volta a minha cidade, e inconformada com o fato de ter perdido uma bota querida e de ter comprado outra com a numeração errada, sai à cata de outra bota.
Desta vez eu encontrei a bota que foi feita sob medida para mim.
— Moça. Aquela bota preta, de cano baixo e sem salto.
— Qual?
— Aquela ali, da vitrine.
— Ah, sei. Ta na oferta. Liquidação de inverno. Cinqüenta por cento de desconto e pode parcelar em até seis vezes no cartão.
— Você tem o número 33?
— É o último.
— Não tem importância. Eu quero só um par.
Essa, eu juro por tudo quanto há de mais sagrado. Não boto no microondas. Aliás, “Bota ao Microondas” é um prato que eu não recomendo a ninguém. Nem aos inimigos. É um prato pra lá de indigesto. Além de caro. Caríssimo.

 
   
Comente o texto do autor. Para isso, faça seu login. Mais textos de EDNA VEZZONI:
Alma de Mulher! Autor(a):
Domesticar. Autor(a):
Maria Ninguém Autor(a):
Meras Questões... Autor(a):
Modron, a Senhora Outonal. Autor(a):
Nova fase: Autor(a):
O espelho. Autor(a):
O Invasor e Polyana Augusta Autor(a):
Paineira Velha. Autor(a):
Para a sua diversão. "Bota ao Microondas". Autor(a):
Tributo a Cora Coralina 08 de março de 2008 Autor(a):
“Ave Noturna Autor(a):
“Estiagem” Autor(a):