Solicitamos sua ajuda para continuar com nosso Espaço GRATUITO. Eu Cláudio Joaquim desenvolvedor do projeto conto com a ajuda de Todos. Ajude-nos com um PIX do valor que você pode para o CPF: 02249799733.

MARIA HILDA DE J. ALÃO

 -  - MARIA HILDA
Total Visualizações: 24036
Texto mais lido:
BRINCANDO COM PALAVRAS INVERTIDAS - Total: 1150
Educares são nossos pontos, nossa pontuação! Educares: 632
10 Autores mais recentes...
CAROLLYNE SANTOS DOURADO
JOSÉ R. CARVALHEIRO NETO
AMANDA DERZE FATURETO
RAYKABRITODEOLIVEIRA
MAXIMILIANO SKOL
WILLIAN DE CAMPOS
ELIZANDRA GOMES
ERNI OLIVEIRA
LOHAYNE FERNANDA RODRIGUES PEDRO
TÂNIA REGINA BRAGA TORREÃO SÁ
10 Autores mais lidos...
613 SEDNAN MOURA
SEDNAN MOURA
Total: 8504402
657 ELIO MOREIRA
ELIO MOREIRA
Total: 2054210
285 ALEXANDRE BRUSSOLO
ALEXANDRE BRUSSOLO
Total: 1406655
190 DIRCEU DETROZ
DIRCEU DETROZ
Total: 1018665
622 SANTO VANDINHO
SANTO VANDINHO
Total: 669053
1121 THALYA SANTOS
THALYA SANTOS
Total: 331369
218 ZILDO GALLO
ZILDO GALLO
Total: 183161
496 ALBERTO DOS ANJOS COSTA
ALBERTO DOS ANJOS COSTA
Total: 176346
272 PEDRO VONO
PEDRO VONO
Total: 170754
189 LADISLAU FLORIANO
LADISLAU FLORIANO
Total: 157932
Sala de Leitura
Busca Geral:
Nome/login (Autor)
Título
Texto TituloTexto



Total de visualização: 22
Textos & Poesias
Imprimir

Total Votos: 0
 
 

O VELHO LEÃO E O MACACO (infantil)

O leão, andando de um lado para o outro na margem direita do rio, tendo diante si uma tigela de farinha, dizia:

Eu sou um leão que envelheceu,
Minha vista enfraqueceu,
A dentição apodreceu
E a cor da juba esmaeceu.

Estou totalmente banguela,
Agora como mingau na tigela.
Força? Já não sou dono dela.
A juventude, como chama de vela,

Apagou-se com o sopro do tempo,
Deixando saudade e desalento.
Para tal fato não há argumento,
Sou o que sou neste momento,

Um leão velho, só e desdentado,
Na margem deste rio sentado
Lembrando as aventuras do passado.
Macaco não fique espantado!

Vendo-se descoberto, um macaco, que espiava por entre as folhas de uma árvore o rei da selva, resolveu rir do pobrezinho.

Majestade me dê licença,
Não de chegar a sua presença,
Mas de dizer que é exagero
Este lamento, este desespero.

Os anos lhe deram sabedoria,
E qualquer um se orgulharia
De ser, como vós, dono desta pradaria.
Chiii! Acho que ele entendeu padaria.

E continuou falando, falando, e o leão ouvindo tudo de cabeça baixa sem dizer uma única palavra.

Sua memória sofre de fraqueza,
Entender palavras para vós é proeza.
Para formar frases perdeu a destreza,
Confunde tudo que é uma beleza.

Eu até acho engraçado
Um leão desmemoriado
Querendo voltar ao passado
De glórias do seu reinado.

Ah, ah, ah. Imagine só,
Majestade tenha dó...
Já não corre como antigamente,
Agora quem reina é o seu parente.

O leão, irritado com a prosa do macaco, deu um forte rugido respondendo:

Macaco não seja debochado, atrevido,
Lembre-se de quem aqui é o temido.
Não sou burro, só um pouco esquecido,
Isto faz parte do tempo vivido.

E o macaco continuou a abusar da paciência do leão:

Majestade, eu não quis ofendê-lo,
Sei que por sua reputação tem zelo,
Mas a mim tem de provar
Que as palavras ainda pode domar.

O velho leão bocejou. Sinal que a conversa estava pra lá de cansativa, e rugindo a plenos pulmões disse:

Testar de um rei a capacidade,
É um risco, uma insanidade.
Ainda me restam coragem e inteligência
Para acabar com a sua saliência.

E o macaco riu lançando no ar um desafio. O leão, para não passar por bobo, aceitou.

Então três vezes rápido repita
A frase que direi bem dita,
Não faça cara de quem medita:
A frase é: Eu trago o tigre.

O velho leão, rapidamente, respondeu enrolando a língua.

Eu trago o trigue
E que sua força me instigue
A derrubar do galho este macaco
E acabar com o deboche deste velhaco.

O macaco, tentando acalmar o leão, disse-lhe que tudo era uma grande brincadeira. Era só para jogar com as palavras, como fazem os velhos, para reavivar a memória. E novamente ele propôs ao leão.

Com sua boca sem dentes,
Diga com seu rugido estridente,
Sem que pelo ar saia voando
A farinha que está mastigando:

Farofa, farofinha
Feita só de farinha.
Pantufa, pantufinha
Fofa, fofinha.

O leão bem que tentou, mas farinha voou para todos os lados. Era como se ele estivesse falando diante de um ventilador. No alto da árvore, deliciando-se com a cena, o macaco ria tanto que já sentia dor na barriga.
De repente um relâmpago riscou o céu. Macaco e leão ficaram assustados. Que seria aquilo? O tempo estava bom. Não havia prenúncio de tempestade.
O leão ouvira na Rádio Mata Verde que o dia seria ensolarado sem previsão de chuvas. Novamente o relâmpago, e desta vez eles viram quem fazia aquilo. Era a Fada do Tempo. Ela desceu do céu trazendo na mão direita um raio. O vestido era de luz brilhante que fez doer os olhos dos dois animais. Ela não pisava o chão. Flutuava uns centímetros acima. O rosto era bonito, mais parecia uma santa. O leão, respeitoso, fez uma reverência dizendo mansamente:
- Seja bem-vinda, Senhora dona do Tempo.
Ela sorriu para o leão. Olhou para o alto da árvore. O macaco procurou se esconder, mas a Fada do Tempo o descobriu entre as folhas. Elevando-se no ar a Fada chegou até ele.
- Meu querido macaco! Rir dos outros é feio. É falta de sensibilidade, de sentimento cristão. A idade mais bela não é só a juventude. Não. A idade mais bela é aquela que vivenciamos no momento. O tempo vivido é um tesouro. Começamos a envelhecer no dia em que nascemos. Isto está acontecendo com você. Mas o tempo é dadivoso. Ele vai, ao longo dos anos, distribuindo sabedoria. A sabedoria é divina. Veja a grande natureza, ela é recheada de exemplos de sabedoria. Basta prestar atenção. Procure Naquele que tudo criou reposta para suas dúvidas, e antes de rir dos mais velhos, examine a sua consciência. A vida é um poema, e os mais novos devem aprender seus versos com os idosos.
O macaco ficou envergonhado, tão envergonhado que escondeu a cara entre as mãos. A Fada do Tempo, delicadamente, retirou uma das mãos do macaco, olhou no olho dele e disse:
- Quero ver se você aprendeu alguma coisa hoje. Existe uma palavrinha que ninguém gosta de pronunciar, mesmo estando pra lá de errado. Qual é?
O macaco foi tirando, bem devagar, a outra mão da cara e, olhando timidamente para a Fada do Tempo, respondeu:
- É perdão, né?
- Isso mesmo.
O macaco, envergonhado, pediu perdão ao leão pela brincadeira de mau gosto que fizera com ele. Depois da partida da Fada, os dois ficaram conversando horas e horas e, antes de ir embora, o macaco prometeu ao leão que no dia seguinte ele estaria no alto da árvore para um bate papo de amigos. E depois dessa história toda, nunca mais o leão ficou só, tinha o seu amigo macaco para jogar conversa fora todo dia na margem do rio.

(histórias que contava para o meu neto)
(Maria Hilda de J. Alão)

 
   
Comente o texto do autor. Para isso, faça seu login. Mais textos de MARIA HILDA DE J. ALÃO:
A ABELHINHA (infantil ecológica) Autor(a):
A APOSTA Autor(a):
A AVENTURA DE KITO E BRISA (História infantil) Autor(a):
A BOCA, AS MÃOS, O ESTÔMAGO E OS PÉS (História Infantil) Autor(a):
A BONECA ZAROLHA Autor(a):
A BORBOLETA AMARELA (poesia infantil) Autor(a):
A BORBOLETA MARIETA Autor(a):
A BRINCADEIRA DAS LETRINHAS (história) Autor(a):
A BRUXINHA SEM VASSOURA (cordel infantil) Autor(a):
A CAIXA MÁGICA (cordel infantil) Autor(a):
A CAMISOLA DE NEVE Autor(a):
A CANÇÃO DO CAVALINHO (poesia infantil) Autor(a):
A CARTA SOBRE A CAMA Autor(a):
A CASA DA TARTARUGA Autor(a):
A CASA SOLITÁRIA (poesia) Autor(a):
A CASINHA PERDIDA Autor(a):
A CASINHA PERDIDA (infantil) Autor(a):
A CIGARRA E A FORMIGA (história infantil) Autor(a):
A COBRA E O RATINHO (cordel infantil) Autor(a):
A CORRIDA DA LEBRE (cordel infantil) Autor(a):
A DOR DE DENTE DO URSO (infantil) Autor(a):
A ESPERA DA PRIMAVERA Autor(a):
A ESTRELA-DO-MAR (história infantil) Autor(a):
A FÁBRICA DE OVOS DE PÁSCOA Autor(a):
A FADA E O SAPO Autor(a):
A FARRA DOS MORTOS Autor(a):
A FESTA DA GRAMÁTICA Autor(a):
A FESTA DO FOLCLORE (folclore do Brasil) Autor(a):
A FESTA DO LEÃO (cordel infantil) Autor(a):
A FORMIGA E O COELHO Autor(a):
Banner aniversariantes

Aniversário Hoje

Aniversariante de Hoje ANTONIO CABRAL FILHO