MARCELO GOMES MELO

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A falta de sorte típica dos pobres

A ideia era boa. Caiu do céu para ele, rapaz de pouco talento, mas muita simpatia. Nem ele sabia se viera do céu, a tal ideia, só que não era hora para questionar.
Ele estava desempregado há oito anos, já, recebendo o benefício do governo. Como era solteiro dava até para comer arroz com frango uma vez por mês! Pelos dias restantes era arroz com arroz.
O que pegou foi que resolveu se engraçar com uma menina do bairro, que trabalhava pintando unhas em um salão de beleza. Moça de sorriso fácil, que não abria mão de uma cervejinha no fim de semana, ouvindo pagode com os amigos. Ela tomou a iniciativa e o convidou para juntar-se a eles. Ficou sem graça, deu uma desculpa, mas acabou prometendo ir.
Ele sabia que se demorasse muito perderia a chance de pegar a garota, então passou a fazer contas para enfiar no orçamento pelo menos o custo de duas latinhas de cerveja. Dez reais. Sexta e sábado. Vinte reais. E uma das latinhas era para ela.
Observando a mesa deles rapidamente, viu que havia porções de batata frita, ovos de codorna, salame... Já engrossava a conta. Digamos que dividissem, não sairia menos de vinte e cinco reais cada um. Se tivesse que pagar a parte dela, cinquenta. Dois dias, cem reais. Era 50% do que recebia do seguro desemprego. Se deixasse de pagar a luz, o gás... Tomaria banho frio, comeria arroz cozido em uma fogueira no quintal. Mesmo assim não sobraria muito.
E se começasse a dar certo, motel nem pensar! No quartinho em que morava tinha uma cama de solteiro, dessas de campanha que comprara de um ex-soldado. Rangia pra caramba!
O desespero tomou conta do homem apaixonado. Saía cedo para procurar emprego, voltava tarde, e nada. Um dia parou em um bar para tomar um copo d’água da torneira, grátis, a televisão estava ligada no jornal, e a presidente da época discursava sobre a genial ideia de estocar vento.
Pensativo, voltou para o cafofo e fez mais contas. Ao comprar dois quilos de arroz no mercado, uma lata de óleo, sal e tempero, podia discretamente pegar saquinhos plásticos a mais, disfarçadamente. Encheria as sacolinhas com ar, fecharia bem e se posicionaria na esquina da estação de trem, sorrindo e oferecendo aos passantes sacos de oxigênio puro. Por dois reais poderiam levar para as suas casas um saquinho de oxigênio puro, sem partículas nocivas, sem ácaros, sem fuligem. Poderiam respirar profundamente, fortalecer o corpo e dormir melhor apenas respirando ar direto de Campos do Jordão!
Nem ele acreditou quando esgotou o conteúdo que levara, retornando para casa com doze reais! A alegria era tanta que mal dormiu! Agora era um empresário do ramo do oxigênio. Passou no salão de beleza, e, timidamente confirmou a presença no bar com a moça na sexta-feira vindoura. Tirasse doze reais por dia, na sexta à noite seria o rei do bar! Pediria um frango assado para impressioná-la, e compraria camisinhas. Duas!
Quando chegou quinta-feira ele era só dentes para fora, sorrindo a toa. Cento e três reais! A postura mudara, mais um dia e poderia até comprar uma sandália havaianas para ir ao encontro.
Na sexta ele chegou cedo ao ponto, esperava vender mais e sair por volta das cinco horas para se preparar adequadamente. A falta de sorte típica dos pobres aconteceu quinze minutos antes das cinco. Três barbudos de camiseta vermelha se aproximaram e apresentaram uma carteirinha. Fiscais da prefeitura. Teria que apresentar o atestado de liberação para vender ali, o que quer que fosse. Ele não tinha! Na verdade, era o primeiro a seguir a ideia da presidente e estocar vento.
Os fiscais lamentaram, mas confiscariam o produto e o dinheiro que amealhara. E ele devia se dar por sortudo, daquela vez não o prenderiam. Tristeza. O sonho fora destruído de uma vez! Nada de frango assado, nada de namorada. O governo dá, o governo tira.
Voltou à sua vida lamacenta, enterrado em depressão e baixa estima. O ódio só martelava a sua pobre cabeça sem cérebro. Na próxima eleição teria a sua vingança.

Marcelo Gomes Melo

 
   
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