PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

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A MULHER DO LOUCO

Como é linda a eternidade da mulher do louco.

“Transtorno delirante persistente
agudo polimorfo não orgânica afetivo”
para um ser que nunca
existiu.

(Cid: G43, F22; F23.0; F29)

Mas a mulher do louco
não confia nessa classificação,
da tabela internacional de doenças.
E o louco, que é louco, às vezes medita,
junto ao sentido desconectado da poesia:
“Como ela pode ser não orgânica
se está ali, se me abraça
no primeiro contato da manhã?
Como seria constante,
se reaparece apenas quando tomo sol
em minha cadeira permanente,
naquele canto simples
com vista para o jardim?
Como poderia ser aguda
se ao meio-dia,
quando canta a canção amorosa,
ela me faz rir da vida repentina e digo:

- Tão repentina foi minha vida!”

O louco suspira para sua mulher.
A mulher eterna do louco,
uma alucinação:

“Sou um Transtorno mental não identificado!
talvez um OVNI amoroso!”

Ela repete e o louco sorri
completamente apaixonado.


DO LIVRO: AS SONDAS AMAM

 
 

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