TÂNIA DU BOIS

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A COR do INVISÍVEL ( II )


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O pensamento é visível? Pensamos em quê? Pensamos no nada? A vida assegura a ideia de que o pensamento é invisível. Nada é totalmente vazio. O pensamento avança, retrocede, hesita, desaparece e reaparece na imaginação, arrumando e desarrumando o imprevisto dos gestos e das palavras; para Thomaz Albornoz Neves, “Vês / o que / sentes // És o lago do olhar / na ausência dos olhos”.
O pensamento é invisível aos olhos da morte, pois, não a carrega, não é seu instrumento, nem mata.
O pensamento é invisível aos olhos dos sentidos: mãos que se tocam, fluem sem retorno ao perderem o sentido do outro. Thomaz Albornoz Neves demonstra, “És / ouro / onde não há luz // Dormes no cristal escuro / Um fio de relva divide a transparência”.
O pensamento é invisível aos olhos da confiança que, por descarga de desconfiança, inadmitimos a licença na fidelidade.
O pensamento é invisível aos olhos da vida, que nos espantamos por olhar a luz e vivermos no escuro como, ainda nas palavras de Albornoz Neves, “... O que se vê é o eco do que não é visto”.
O pensamento é invisível aos olhos do tempo; ao presente cabe a conta das injustiças, quando o tempo cai sobre todos em notícias, queixas, desamores e despalavra e, segue Albornoz Neves, “Ao gesto / tens o corpo / de luz / onde chove // Do escuro te contemplas”.
O pensamento é invisível aos olhos da lembrança: a vida desfila em palavras, onde o mundo das artes pode ser visto nas cores do sangue, do sol e do mar.
O pensamento é invisível aos olhos do coração na devolução da alma, na pausa do silêncio, num rebrilho da luz. Como escreve Neves, “tua luz / dissipa / as formas // No lago de calor / sou acorrentado”.
O pensamento é invisível aos olhos da paisagem; leva e traz os sentidos e também regressa com o olhar da despedida.
O pensamento é invisível aos olhos do silêncio quando esquecido ou lembrado, fica preso no instante em que é desenhado pela mente, como Albornoz Neves retrata, “Somes / no silêncio // És o que te sonha”.
O pensamento é invisível aos olhos da confissão quando chegamos ao limite expirando e desfolhando o ato que grita descaminhando o nada para o querer ensurdecedor.
O pensamento é invisível aos olhos da mentira que nos encaminha para o nada e nos leva a lugar algum, beirando a margem da sombra; como, ainda, em Albornoz Neves, “É dia // no centro / da luz / raias //A luz é tua sombra”.
O pensamento é invisível aos olhos da memória, pois, o silêncio vela a memória; gestos recriam a memória; a música inventa as suas cores e as palavras dão entonação à memorizada voz.
O pensamento é visível no estalar dos vidros; na inocência e malvadeza; na descoloração das árvores e nas luzes que revelam outras vidas em imagens, fotos e perfumes; então, vemos pessoas desembrulharem os nós e converterem o pensamento em gestos e ideias para a vida. Como refletido por Tanussi Cardoso,... uma coisa é esperar; outra coisa é acontecer / uma coisa é rezar; outra coisa é crer / uma coisa é chorar; outra coisa é doer / voraz é a verdade dos vinhos esmaecidos / feroz é a idade – futura – não – acontecida / ...viver é crer que se quer viver! / É voar nas asas dos pássaros, sem sangrá-los!...”

 
   
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