PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

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A FORMIGA ALHEIA

Um dia a formiga não precisou pensar
tudo estava em seu lugar.
O mundo se encaixara,
as paredes eram extensas
e o formigueiro a obra perfeita
se ajustara a todas
cada casta possuía sua tarefa.

Hoje uma formiga não precisa pensar,
mas de vez em quando...
ela pode parar
e passar às outras
o feromônio de algo como:
“Estamos aqui!”
Mensagem rápida
na trilha de comida.

Hoje uma formiga já formiga,
ela não precisa pensar,
apenas casualmente,
(as formigas são obreiras,
a rainha é obreira,
títulos não existem),
qualquer operária transmite
uma satisfação como dizer:
“Agora pra frente!”
Alguma outra formiga terá a ideia
sentirá por instantes,
a felicidade alheia
e talvez abaixe antenas
sem interromper a tarefa
(nada cessará o serviço,
foi acertado no período Jurássico,
em um consenso de carapaças)

Uma formiga não precisa pensar,
por motivos longe da sua evolução,
talvez levante a cabeça,
em milésimos de ócio
e surgirá algo como:
“Sou igual a formiga à frente
a formiga no meu calcanhar é igual a mim.
Vivemos em um período dócil”.

Uma formiga não precisa pensar,
apenas ocasionalmente
quando se reproduzem,
a rainha à vista,
do chão todas percebem:
“Os machos voam!
Que lindo! Que lindo!
Mas tudo bem... tudo bem...”

A formiga jamais entende o porquê dos machos.
“Por que somente eles parecem morrer?”

DO LIVRO: AS ONDAS AMAM

 
   
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