PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

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O CEGO DO VALONGO (13 DE MAIO)


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O cego do Valongo
segue o rastro no piso azul
para entrar no metrô.
Não impeça a passagem.
O cego sem cão guia,
porque se libertou do cão,
segue com a bengala as marcas azuis da trilha.
Ele quer entrar no metrô e seguir.
O cego já esteve no século XIX,
no Cais do Valongo, na cidade do Rio
chegando nu da África;
já virou e revirou correntes,
mas hoje, contudo, desceu do ônibus,
negro, magro, de calças jeans, camiseta, bengala,
e quis seguir o azul do pavimento.
Não evite seu rumo,
porque o cego sabe onde está.
Ele consegue ser alegórico.
antes de entrar no vagão
e diz para os atônitos da plataforma:
“No mundo dos cegos,
o homem é um meio centauro
e os cavalos são a criação final.
Lindos!”


DO LIVRO: ADVERSOS E OUTROS MOMENTOS

 
   
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