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DEZOITO HORAS


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O dia seguiu morno.
O sol encoberto pelas cinzas nuvens parece inofensivo, colorindo o oeste de laranja, como se aguardasse pela chegada da tempestade.
O homem está cansado.
O dia de trabalho ainda não terminou e a noite avizinha-se.
Há tempo para um cigarro e cinco minutos desperdiçados.
É sexta-feira, início de outono, e na esquina de um lugar qualquer ele acomoda-se.
Recosta seu corpo junto à parede, retira o isqueiro do bolso e acende mais um dos seus caretas.
Pensa em parar, mas falta vontade.
Pensa na vida, suspira confortavelmente e observa:
O trânsito é implacável e o ruído é constante.
Parece que o silêncio saiu sem pedir licença e deixou-nos abandonados aos carros de sons e suas propagandas, aos motoristas e suas coletâneas, às buzinas e às freadas:

_ Tudo bem. Avalia o homem.
Capital é assim mesmo, gente demais e espaço de menos, pressa por nada e salário pequeno.
Se desejasse silêncio iria pra roça. Mas se não há dinheiro, me faltam respostas...

O pensamento é interrompido abruptamente.
Esquecera-se da sirene da padaria de frente.
Tocou durante o dia a cada meia hora, sempre que o padeiro liberou uma fornada quente:

_ É para chamar os clientes, resigna-se.
Apenas tocou novamente.

Dois minutos passados e meio cigarro fumado, tenta abster-se da confusão.
A mente anda oblíqua com a ressaca de acontecimentos recentes, ainda não digeridos por sua racionalidade. Mas ele persiste, porque o mundo não espera.
Desconcentra-se dos veículos, da sirene, do telefone tocando no bolso, das respostas não dadas vagando em sua mente.
Respira, traga e se lembra:

_ Sim, esqueci-me da promoção da lojinha de roupas ao lado, aquela das peças de vinte reais, importadas da China.

A caixa de som fora ligada e os sucessos populares, esbanjando desarranjos, feriu-lhe os tímpanos desgastados:

_ Apenas uma música... Pensa, enquanto o cigarro acaba.

Ele apaga a guimba, guarda-a no bolso e encaminha seu corpo de volta ao trabalho.
Adentra no estabelecimento, desses de porta de rua, loja pequena e tumultuada.
Ainda tem tempo de ouvir uns dos clientes reclamar da vida, como se fosse a vítima.
Escuta a discussão entre o gerente e o vendedor, com menções honrosas às suas respectivas mães.
Caminha em direção à lixeira, pisa no pedal, descarta sua guimba, vira-se para a rua e vê o bêbado do bairro cantarolar a mesma canção de sempre, desafinado como de costume.
Senta-se atrás do balcão e observa o motoqueiro à sua frente, na rua, acelerando a moto com o escapamento modificado, pedindo a todos para ser notado.
E então se pergunta:

_ Cadê a delicadeza?

 
   
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